Toca o despertador: sete da manhã. Saio da cama como quem não pudesse ver o sol, devagar, sem maiores excitação para o dia que começava. Calcei meus chinelos, arrumei a calça, prendi o cabelo, me olhei no espelho. Lá estava a imagem de uma mulher magra, de cabelos curtos castanhos escuros, olhos fundos tomados pelo sono e alguns piercings e tatuagens expostas espalhadas pela pele queimada de sol.
Toda vez que decido olhar o espelho, preferia ter esquecido tal idéia, ou simplesmente olhado através dele ou ainda por sobre ele. E não é a imagem da mulher que ali se encontra que me é estranha, e sim a tristeza naqueles olhos e gestos.
Voltei-me para o banhiero e andei até lá, tomei uma longa ducha, escovei os dentes e pensei em me deitar de novo. Tudo o que eu mais queria era me deitar e permanecer deitada, até que aquele sentimento parasse, até que me fugisse toda aquela aflição, até que esquecesse Ana.
Entreguei-me ao cigarro matutino e a um café preto bem forte e sem açúcar. Com a xícara em uma das mãos fui até a sacada e olhei para rua 13 onde cada pessoa vivia o mundo, que agora, passava em frente aos meus olhos. Elas corriam por entre os carros com o intuito de não atrasar-se para o trabalho. Com fones em seus ouvidos e lap-tops em suas maletas, os ternos perfeitamente alinhados, andando sem parar. Homens e mulheres de todos os jeitos, tristes e felizes que lutavam contra seus respectivos relógios.Enquanto isso eu os via passando da janela do meu quarto. Procurava uma camiseta, estava frio lá dentro, mas não conseguia achar nada. Eram montanhas sobre outras montanhas de roupas amarrotadas curtidas num raio de sol que entrava por uma fresta que vinha do banheiro. Tudo estava escuro. Acendi outro cigarro e agarrei-me ao travesseiro. Ainda sentia o cheiro dela em todos os lugares.
19 de set. de 2009
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