21 de nov. de 2007

Para: ela.


'Acabou-se a terra e o prazer é virgem'

A realidade é um relâmpago onde inexiste passado, um clarão que se insinua, tatua uma sensação, um vestígio de sonho. E desaparece?Na realidade há uma lua em cada poste e uma lâmpada de sessenta velas no céu. Vê-se que não amanheceu.A realidade é que vivo um sonho onde estamos - eu e você - sentadas em bancos e tudo parece ser um bar: o garçom equilibrista de bandeja cheia, o murmúrio de vozes que sei que são palavras de nossas línguas, mas que assim somadas não fazem fios nem meados mas fazem sentido encontrando soluções embriagadas para uma cadeia imensa de problemas mundanos, pessoas olhando umas para as outras, umas pra si mesmo, umas pra ninguém, bebendo, fumando, remexendo idéias, mesas, pernas cruzadas, mãos entrelaçadas, piscadas, sorrisos, palitos, piadas, copos, garrafas, idas ao banheiro, bita, cinzeiros, beijos clandestinos, culturas inúteis, batatas fritas...Você me fala do que cobre o íntimo, o pano vermelho, que me leva ao êxtase.
Começou a terra e o prazer é gêmeo.

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